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Wednesday, November 14, 2012

Por que você não vai se aposentar (se começou a trabalhar no séc. XXI) - 3ª parte

Conforme visto anteriormente, a intensidade do consumo de energia é diretamente proporcional ao nível de renda per capta e, como ainda há grande disparidade de renda entre os países, há grande margem para a aceleração do consumo mundial de energia, com ênfase nos combustíveis fósseis.

A maioria dos países populosos (+ 40 MM hab.) emergentes observou intenso crescimento da renda unitária nos últimos 10 anos. De acordo com a figura abaixo, com exceção de Bangladesh, Paquistão e Filipinas, bastaria aos emergentes manter taxa de crescimento semelhante ou até mais baixa, para convergir para a metade do PIB per capta atual dos países desenvolvidos (15 mil dólares de 2011), em 2050.


Nesse patamar de renda, pode-se ver na dispersão abaixo que os países hoje desenvolvidos consumiam anualmente algo entre 1,757 e 4,17 toneladas equivalentes de petróleo (TEP) por habitante.

(1960-2010 > Ordenadas: Consumo de energia em KgEP per capta; Abscissa: PIB per capta)



 Dessa forma, é plausível que os emergentes completem a convergência de renda até 2050 e, por conseguinte, elevem consideravelmente o consumo mundial de energia.

A partir dessas contatações e da projeção do crescimento populacional, realizada pela ONU no World Urbanization Prospects: The 2011 Revision, estima-se as seguintes curvas de exaustão das reservas atuais de combustíveis fósseis:

(Dados brutos: BP Statistical Review of World Energy June 2012, Elaboração: Digressão Estilo Livre - DEL)

Curva 1: Cenário poneys e unicórnios
  • Consumo de energia per capta dos emergentes: menor do espectro histórico para a faixa de renda.
  • Eficiência energética: ganho expressivo
  • Fontes renováveis: participação cresce significativamente  de 13% para 25%, dentro da matriz energética.

Curva 2: Cenário moderado
  • Consumo de energia per capta dos emergentes: ponto médio do espectro histórico para a faixa de renda.
  • Eficiência energética: ganho moderado.
  • Fontes renováveis: participação cresce timidamente  de 13% para 20%, dentro da matriz energética.


Curva 2: Cenário de estresse
  • Consumo de energia per capta dos emergentes: máximo do espectro histórico para a faixa de renda.
  • Eficiência energética: ganho nulo.
  • Fontes renováveis: participação permanece constante.
Portanto, no cenário mais otimista, em 2043, restaria menos de 45% das reservas de petróleo, o que elevaria significativamente o custo de vida. Não estou falando apenas de inflação, falo de um aumento tão colossal que irá corroer qualquer rendimento de massa financeira acumulada a título de previdência. Sem falar no que as mudanças climáticas farão com a produção de alimentos, mas isso é assunto para outro post...

Friday, October 26, 2012

Por que você não vai se aposentar (se começou a trabalhar no séc. XXI) - 2ª parte

Para vislumbrar a trajetória do mercado de energia, vamos dar uma olhada nos países mais populosos do planeta (acima de 40 milhões de habitantes, com dados disponíveis*).

O consumo de energia por habitante tende a acompanhar o crescimento da renda per capta. Hoje, há uma grande disparidade, com rendas per capta mais elevadas nos EUA, Europa, Japão e Coreia e mais baixas nos demais países da amostra.



PIB per capta em US$ PPP



O consumo de energia, em tonelada equivalentes de petróleo (TEP) per capta, acompanha ,em larga medida, o patamar de renda do país.


De forma dinâmica, podemos ver que, para os países desenvolvidos, o consumo de TEP /hab. cresceu conforme a elevação da renda per capta.


No próximo post da série, vamos ver o que poderá ocorrer com a demanda mundial por energia e, por conseguinte, com as reservas de combustíveis fósseis, se os países em desenvolvimento prosseguirem em seu processo de urbanização e elevação da renda per capta.

* Ficaram de fora países importantes como a Nigéria, por incompletude de dados.