Showing posts with label EUA. Show all posts
Showing posts with label EUA. Show all posts

Thursday, November 16, 2017

'Supply-Side Economics' em uma cena

Segundo alguns economistas mais ortodoxos como Art Laffer, bastante influente entre os Republicanos, uma redução da carga tributária por si só teria o condão de elevar os investimentos de maneira a engendrar aceleração do crescimento econômico e redução do desemprego. Mais do que isso, de acordo com a Curva de Laffer, é possível que o crescimento do PIB mais do que compense a redução de carga e, dessa forma, resulte em aumento de arrecadação. A ideia parece tão descabida que mesmo o republicano George Bush a chamou de Voodoo economics, em 1980.

Com base nas mesmas idéias, a dita Reforma Tributária proposta pelo Partido Republicano (GOP) acarretaria uma redução da carga tributária incidente sobre as empresas americanas. Por exemplo, a alíquota máxima de Imposto de Renda de 35% seria extinta e haveria uma alíquota única de 20%.

Assim,  um editor do Wall Street Journal pergunta a uma platéia composta por dezenas de CEOs que compõem o Conselho criado pelo próprio jornal: 'Se a reforma tributária passar, quem de vocês planeja elevar seus investimentos? Levantem as mãos' (tradução livre). O resultado pode ser visto abaixo.



Parece que os presidentes das empresas não se comovem diante do entusiamo do GOP pelo Supply-side economics.

Pergunte-se o seguinte, por que alguém investiria em aumentar a capacidade instalada se não vislumbra uma demanda que absorva a produção adicional? Se a venda não ocorrer, não há receita, não há lucro. De que adiantaria uma redução de imposto sobre um lucro inexistente?

Dificilmente concordo com George Bush, mas - neste caso - diria: Voodoo economics indeed!

Friday, March 18, 2016

Da Série 'Cagadas Homéricas' (juro que tentei pensar em outro título, mas esse é o mais irado): Auto-imolação involuntária de Mitt Romney



"There are 47 percent of the people who will vote for the president no matter what. All right, there are 47 percent who are with him, who are dependent upon government, who believe that they are victims, who believe the government has a responsibility to care for them, who believe that they are entitled to health care, to food, to housing, to you-name-it. That that's an entitlement. And the government should give it to them. And they will vote for this president no matter what…These are people who pay no income tax."

Segundo Romney, na época da campanha eleitoral de 2012, 47% do americanos não pagavam importo de renda (IR) e eram dependentes do auxílio estatal. Até fora de contexto, a frase é inoportuna, pois é enganosa e incorreta. Independentemente de pagar IR ou não, todos os cidadãos pagam impostos sobre o seu consumo. Além disso, quando adicionamos o contexto do período, a frase torna a "pá de cal" um mero rito formal.


Vamos recapitular:


1. Os entediantes MBS (Mortgage Backed Securities), antes compostos por hipotecas AAA e segurados pelo Governo, foram turbinados com transações hipotecárias sem comprovação de renda ou patrimônio dos devedores.



2. Os bancos de investimentos, que engendraram e ganharam volumosas comissões com a venda dos MBS turbinados e a sua versão mais pútrida - os CDOs -, estavam fora do escopo regulatório que limitava a alavancagem bancária ponderada pelo risco, o que fico conhecido como shadow banking.  


3. Quando a inadimplência dos empréstimos hipotecários se elevou vertiginosamente (1º semestre de 2007) - o que era previsível, já que os contratantes não possuíam renda ou patrimônio -, o valor dos MBSs e CDOs despencou, trazendo grandes perdas para os bancos que detinham estes papéis, o que teve como repercussão a Grande Recessão, elevando drasticamente o desemprego nos EUA e na Europa.


Imaginem que, em um momento em que há 14 milhões de desempregados e mais outros milhões de trabalhadores subempregados, um candidato a presidência diz que metade da população atribui ao governo a responsabilidade de cuidar deles, sem dar contribuição relevante à sociedade.

Eis a cagada homérica que acabou com as chances do Romney, o que na minha opinião foi excelente para o planeta.

  

Wednesday, December 4, 2013

Um hegemon ainda resiliente

Mesmo diante da pior crise econômica desde 1929, os EUA ainda são os que ostentam o maior patamar de gastos bélicos do planeta. Os demais membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mantêm programas militares que, se somados, são um pouco maior do que a metade daquele mantido pelos yankees. 

Há quem cogitasse que este seria um século chines. Será?



Fonte: SIPRI Military Expenditure Database, 2013


Wednesday, December 5, 2012

Tributação sobre os mais ricos e o desempenho da economia: Mortalidade infantil em Amsterdã e o consumo de vodka na Sibéria

Estudo feito pelo Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA concluiu que não há evidência alguma de que haja relação entre o crescimento do PIB per capta e a tributação dos 0,1% mais ricos, conforme pode ser visto na figura abaixo. Portanto, os benefícios fiscais para os mais ricos, sancionados pelo Governo Bush, não fazem sentido algum. O que fizeram os congressistas republicanos? Ignoraram, surpresa?

Fonte: Congressional Research Service



Tuesday, September 11, 2012

Tensão no Golfo Pérsico

1. Agência Internacional de Energia Nuclear (IAEA) concluiu que o Iran tomou as seguintes ações relacionadas à confecção de armas nucleares:


• Efforts, some successful, to procure nuclear related and dual use equipment and materials by military related individuals and entities (Annex, Sections C.1 and C.2);
• Efforts to develop undeclared pathways for the production of nuclear material (Annex, Section C.3);
• The acquisition of nuclear weapons development information and documentation from a clandestine nuclear supply network (Annex, Section C.4); and
• Work on the development of an indigenous design of a nuclear weapon including the testing of components (Annex, Sections C.5–C.12).

2. O Relatório da IAEA e o descumprimento de suas resoluções pelo Irã ensejaram sanções mais severas ao país:
• A União Européia declarou embargo completo ao petróleo iraniano
• Os EUA instituíram medidas que possibilitam punir os países que comprarem o petróleo iraniano.

3. Irã publica legislação com fito em interromper a passagem de navios no Estreito de Ormuz e realiza testes de mísseis no deserto, para demonstrar poderio militar.

4. EUA movem navios de guerra e caças F-22 para o Golfo Pérsico, para deixar claro que poderiam desmobilizar rapidamente um bloquei iraniano.

5. Novo relatório da IAEA indica que o Irã acelerou seu projeto nuclear.

Parte substancial do petróleo mundial é escoada pelo Estreito de Ormuz. Assim, um conflito nessas águas certamente afetaria os preços do petróleo, o que poderia representar um severo choque de oferta. Nada que não tenhamos visto antes.

 






Thursday, September 29, 2011

Muito profunda e de duração indeterminada

No início de 2008, o Krugman já antecipava a ocorrência de uma recessão e se questionava sobre sua gravidade e duração.

Para balizar sua meditação, rememorou as crises de 1990-91 - resultante de uma ruptura de crédito - e de 2001 - fruto de um sobreinvestimento. Tendo em conta que a crise iminente seria desencadeada por uma combinação de ambos os fatores, Krugman imaginava um cenário de recessão profunda e duradoura.

A continuação do gráfico mostrado no post linkado responde a uma das questões - a recessão iniciada em 2008 já se mostra mais severa que a conjunção das anteriores.

Já a questão da duração, que já completou 3 anos, só o tempo revelará mas já se observa que a ligeira elevação do emprego ensejada pelo minguado pacote de estímulos se esvai. Além disso, a perspectiva de se aprovar no congresso o ainda mais tímido programa de geração de empregos é bastante ruim.

Mais comentários alvissareiros no próximo post :(

Sunday, October 31, 2010

EUA x Iran: Guerra, recuperação e reeleição

Se eu fosse o presidente Ahmadinejad, estaria com o sono comprometido. Eis o porquê:

i. Em novembro, os democratas perderão o controle de uma das casas legislativas, no melhor dos cenários, e, desse modo, será virtualmente impossível aprovar qualquer medida de estímulo fiscal nos próximos anos.

ii. As taxas de juros já estão próximas de zero, portanto a política monetária não possui tração para impulsionar a recuperação econômica dos EUA.
iii. Os republicanos adoram guerra e abraçariam em um piscar de olhos a idéia de um ataque preventivo em nome da defesa nacional.

iv. A idéia já está se disseminando entre articulistas de Washington: The war recovery?
Em suma, conforme argumentado em post anterior, uma eventual guerra contra o Irã teria apoio suficiente para ser aprovada no Congresso e  proveria estímulo para gerar os empregos necessários para garantir o segundo mandato de Obama. 

Percebe como os interesses se alinham? Se eu fosse o presidente Ahmadinejad, eu andaria na linha, embora suspeite que nem sua canonização seja o suficiente para salvar sua pele.

Monday, September 13, 2010

Irã Repensado





No post anterior, afirmei que a degradação fiscal e a recessão econômica que assolam os EUA reduziriam a margem para eventual invasão do Irã. Não obstante, reflexão mais cuidadosa sugere ser possível um epílogo menos pacífico. Examinando mais de perto a conjuntura política yankee, os multiplicadores de renda e o desfecho da Grande Depressão, fico um pouco mais inquieto, embora ainda pense que um novo século americano seja uma possibilidade remota.
Olvidados de John Maynard Keynes, os EUA adentraram a armadilha da liquidez, onde os juros beiram zero - o que significa que a política monetária tradicional perdeu tração - e o desemprego se prolifera em ambiente progressivamente deflacionário.  Se fosse qualquer outra nação, isso não afetaria o sono dos governantes do Heartland, entretanto, trata-se do país com o maior poderio militar do globo e histórico de atacar problemas econômicos com soluções bélicas.
Ao assumir a Casa Branca no início de 2009, a primeira grande tarefa do presidente Obama era propor um pacote de estímulo econômico capaz de fazer frente à mais severa crise financeira desde 1929. Para dificultar a vida de Obama, a usual polarização partidária se refletia na opinião econômica de acadêmicos, conselheiros, profissionais e políticos.
Por um lado, o diagnóstico keynesiano apontava para uma demanda efetiva insuficiente e, por conseguinte, o receituário correspondente era aumentar os gastos públicos na mesma proporção do colapso de consumo e investimento privados.
Por outro lado, tal visão era contraposta pela idéia de que a crise representava o fim de um ciclo econômico e, dessa forma, o desemprego elevado seria mero reflexo de um ajuste do arcabouço produtivo, necessário para dar início a um novo ciclo. Logo, recomendava-se cortar impostos com fito em catalisar a transição.
Posto de outra forma, os keynesianos identificavam um problema de demanda efetiva, enquanto os conservadores conjecturavam uma readequação da oferta agregada.
Qual lado o presidente Obama escutou? Infelizmente, tentou acomodar ambas as visões. Na época, Obama vislumbrava soluções bipartidárias para o país, baseadas em acordos harmoniosos entre Democratas e Republicanos.  Desafortunadamente, Obama se deixou influenciar por tais devaneios políticos em uma situação que exigia visão mais próxima do “chão de fábrica”. Assim, o projeto encaminhado ao Congresso em 2009 trazia estímulo de US$ 800 bilhões diante de um hiato do produto de US$ 2,9 TRILHÕES, segundo estimativas do Congress Budget Office para o horizonte bienal. Além de sua dimensão acanhada, 40% dos US$ 800 bilhões assumiam a forma de isenções fiscais virtualmente inócuas, inclusas para abarcar os escusos intentos republicanos.
Dessa forma, ao tentar abarcar percepções diametralmente opostas, motivado por ilusões bipartidárias, Obama desperdiçou as condições políticas favoráveis de que dispunha no início de seu governo, quando sua taxa de aprovação gravitava em torno de 65% e os democratas detinham 253 dos 435 assentos da Câmara e 59 dos 100 assentos do Senado.
Agora, conforme cessam os efeitos do insípido estímulo econômico, o desemprego bate 9,3%, o subemprego atinge 18,6% e, conseqüentemente, a popularidade de Obama despenca para 45% e descortina-se cenário bastante desfavorável para as eleições de novembro próximo, com 53% dos norte americanos declarando intenção de eleger legisladores republicanos. Portanto, daqui em diante será praticamente impossível passar pelo Congresso qualquer rodada adicional de estímulo econômico, ainda mais da magnitude necessária para retirar os EUA da armadilha da liquidez.
Sem embargo dos fatos, vamos supor que a política fiscal seja uma opção, apenas por diversão. Nesse caso, que tipo de gasto surtiria mais efeito em termos de elevação da renda? Auerbach & Gorodnichenko (2010) pode nos ajudar a pensar. Segundo os autores, durante uma recessão, cada US$ 1 gasto pelo governo em consumo corrente eleva a renda em US$ 2,11, enquanto investimento público aumenta em US$ 2,85 e gastos militares US$ 3,56, conforme pode ser visto na figura abaixo. Portanto, o maior multiplicador de renda está associado aos dispêndios bélicos.
Opa! Quem gosta de guerra? Certamente os republicanos gostam um bocado, já que isso os permite acessar os excedentes do poderoso complexo industrial armamentista. E quem quer minorar a dor de milhões de trabalhadores americanos desempregados ou subempregados? Seguramente os democratas, mas talvez não ao custo de uma guerra.
Contudo, não seria a primeira vez que isso acontece. Isso mesmo, estou pensando em Pearl Harbor. Um ataque japonês à base do Pacífico, enquanto as mais importantes armas navais dos EUA repousavam em San Diego, permitiu a entrada dos Yankees na Segunda Grande Guerra. A partir disso, o intenso esforço de guerra finalmente criou demanda agregada suficiente para alavancar a saída dos EUA da armadilha da liquidez em que se encontravam desde 1929.
Não é possível estabelecer causalidade inequívoca entre a Grande Depressão e a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, mas também não há dúvida de que, apesar das baixas, a empreitada militar os beneficiou largamente ao dar início aos anos dourados da economia americana. Não estou dizendo que houve um plano premeditado para resolver o imbróglio econômico por vias militares. Afirmo apenas que as circunstâncias políticas e diplomáticas podem tornar a opção de guerrear muito atraente para ambos os partidos.
Como isso se relaciona com o Irã? Pense bem, o gabinete de Obama não tem chances reais de aprovar programa efetivo de gastos. Ao mesmo tempo, o Irã tem sido irredutível quanto à inspeção internacional de seu programa nuclear e os Republicanos adorariam a idéia de um ataque preventivo. Em adição, o apoio imediato do lobby da indústria bélica seria endossado por grupos interessados nos negócios de reconstrução e petróleo. Além disso, do ponto de vista geopolítico, a ocupação do Irã (10%) consolidaria o acesso a 754 bilhões dos 1,3 trilhões de barris das reservas mundiais, já que os demais países dotados de grandes reservas como Arábia Saudita (20%), Iraque (18,6%), Kuwait (7,6%) e Emirados Árabes (7%) possuem governos favoráveis aos EUA. Com isso, os EUA garantiriam fácil acesso a mais da metade das reservas conhecidas de petróleo, o que é bastante conveniente dado que eles consomem 22% do que é extraído anualmente.
Portanto, qualquer ataque terrorista ou incidente equivalente ao ocorrido em 11 de setembro de 2001, mesmo que apenas longinquamente atrelado ao Irã, poderia resultar na ocupação do país pelos EUA e forças de coalizão, pois:

1.       Geraria demanda efetiva em período de recessão.
2.       Consolidaria acesso a recurso escasso e estratégico
3.       Encontraria apoio junto a congressistas, pressionados por poderosos lobbies.



Entenda. Não afirmo que o Irã será inexoravelmente invadido, observo apenas que há barris de pólvora assentados sobre tecido embebido em combustível. Ou seja,  o que eu quero dizer é que se eu fosse o presidente Ahmadinejad, não brincaria com fogo no recinto.



Multiplicadores de renda





Participação de países do Oriente médio nas reservas mundiais de petróleo em 2009