
Como o próprio sub-título informa, o livro Mating Intelligence aborda o papel da mente no âmbito do acasalamento, não no que diz respeito ao ato em si, mas a tudo que leva a ele e o circunda.
A inteligência do acasalamento (por falta de tradução melhor) é desdobrada em dois aspectos:
i) Cortejo: demonstrações de intelecto, personalidade, emoções e criatividade, atraentes para potenciais pares.
ii) Mecanismo: processos cognitivos úteis para lidar com questões associadas ao acasalamento.
O autor se vale da psicologia evolutiva para defender que certos traços como inteligência, criatividade e personalidade são transmitidos geneticamente e se perpetuam por meio da seleção sexual.
Embora a análise da dinâmica da atração afetiva seja interessante e não tenha finalizado a leitura, já é possível identificar 2 objeções:
1) Não há seleção sexual nos dias de hoje, se é que já houve entre os humanos. Por mais inapto, segundo os critérios do autor, que alguém possa ser, suas chances de transmitir seus genes ainda são significativas. Do dito popular, há um calçado velho para todo pé cansado :)
2) É possível demonstrar que características como a personalidade podem ser transmitidas geneticamente? Ou mesmo que a personalidade se apóia exclusivamente em traços genéticos? Se assim fosse, os gêmeos teriam a mesma personalidade, já que são dotados da mesma carga genética.
Contudo, mesmo se válidas, as objeções não invalidam toda a tese, apenas o mecanismo de perpetuação de alguns dos traços psicológicos estudados. Por isso, a leitura permance interessante.
No comments:
Post a Comment